sábado, 15 de abril de 2017

[ENTREVISTA 7] BRUNO CATÃO

Brendo Hoshington


Que seja feita a minha vontade.

Bruno Catão

Olá todo mundo.

Na entrevista de hoje o Book of Livros trás um escritor pra lá de talentoso, estamos falando de Bruno Catão, coautor do livro Contos Amargos.

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Confira a sinopse do livro no site da editora Pendragon.

1. Quem é Bruno Catão?

Meu nome é Inigo Montoya. Você matou meu pai. Prepare-se para morrer.

2. Quando percebeu que a escrita fazia parte da sua vida?

Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante.
Acho que sempre usei histórias para compreender o mundo, então a transição de leitor para escritor foi algo bem precoce. Agora, de escritor para escritor bom, deve levar uma vida e meia.

3. Qual o primeiro livro que se lembra de ter lido?

Difícil. Provavelmente O Rei Leão, de uma daquelas coleções infantis que vinham numa caixinha musical (alguém lembra disso?).

4. Como era a primeira história que você criou?

Eu tenho uma memória bem vaga de uma história de detetive e assassinato que eu escrevi na quarta série, mas imagino que tenha havido outras antes.

5. Quais são suas inspirações?

Várias. Acho impossível não citar Gaiman, Tolkien, Douglas Adams e Terry Pratchett, mas tem bastante de Stephen King, Alan Moore, Grant Morrison, Eddie Izzard, George Carlin, Maurício de Souza, Monty Python e muitas outras. Na maior parte do tempo eu não consigo apontar a voz de quem está sussurrando no meu ouvido, mas sempre tem muita gente.

6. Metas para o futuro?

Parar de procrastinar e começar a escrever os próximos livros.

7. Como você enxerga o quadro atual da literatura no Brasil?

Eu acho que toda vez que se faz essa pergunta a um escritor nacional, o entrevistador espera ouvir um choro de que no Brasil ninguém lê. Não é bem por aí. Quem diz isso não entende de nicho de mercado. Não é uma maioria do país, longe disso, mas também não é como se não existisse um mercado. O público está aí, o problema do autor brasileiro é conseguir alcançá-lo e conquistá-lo com um conteúdo bom.

8. Qual é o seu livro nacional predileto?

Tirando o Contos Amargos? Acho que o livro nacional que eu mais li foi O Vampiro que Descobriu o Brasil, do Ivan Jaff. É a história de um português que é mordido em Lisboa, vem para o Brasil dentro de um barril e acaba vivendo os primeiros 500 anos da nossa história. Pena que o livro termine no ano 2.000, queria ver o que o Antônio teria a dizer sobre o nosso atual presidente vampiro.

9. O que gosta de fazer nas horas vagas?

Quando o dinheiro deixa, eu gosto de ir ao cinema. Se não for o caso, eu gosto de procurar filmes estranhos na Internet. Já viu “O que Fazemos nas Sombras”? Despretensioso e totalmente hilário.

10. O que você diria para uma pessoa que está começando agora?

Se você não tropeçar no caminho, provavelmente está andando errado.


Confira agora um trecho do conto Divino, escrito pelo autor:

DIVINO

     Eu não sei dizer por quanto tempo vaguei pela escuridão gelada do vazio. Eu vi planetas se formarem, estrelas nascerem e morrerem em explosões além da imaginação dos cérebros animais que tentaram me compreender. Eu vi sistemas solares se formarem e serem engolidos por sóis famintos, buracos negros devorarem as próprias noções de tempo e espaço, enquanto eu apenas seguia sem destino pela escuridão do Universo.

     E eu vi vida. Eu vi flores em jardins que compreendiam toda a superfície de planetas. Eu vi insetos construindo colmeias que se estendiam em busca da luz de estrelas indiferentes. Eu observei cobaias de laboratórios se revoltarem contra seus mestres e construírem suas próprias civilizações das ruínas de seus opressores.

     Eu assisti tudo isso a distância enquanto viajava nas costas congeladas de um asteroide perdido, o último vestígio de um planeta que nem eu sou capaz de recordar, sempre em frente, sempre em movimento, sempre frio e solitário.

     Cheguei ao Planeta Azul por pura sorte. Eu não esperava chegar a qualquer lugar depois de tanto tempo, muito menos um que fosse tão receptivo. Conforme a rocha espacial se aproximava da superfície verdejante, meu casulo de gelo se desfez com as chamas da reentrada na atmosfera, e eu passei a sentir uma presença diferente de todas as que observei de longe durante todo aquele tempo. Uma forma de vida diferente se encontrava neste planeta.

     A cratera que marcou minha chegada mal havia parado de fumegar quando eles chegaram. Dentro de peles sintéticas, estes bípedes encontraram meu veículo, ou o que restava dele, e levaram-me para um laboratório de sua espécie, onde a minha pequena rocha espacial seria analisada, catalogada, estudada, arquivada e esquecida entre outros objetos caídos do céu. A pedra, pelo menos, foi.

Acompanhe o desfecho dessa história no blog Tô Pensando em Ler.


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Brendo Hoshington / Administrador & Editor

Mora em Pernambuco e sonha em conhecer o mundo, mas por enquanto viaja apenas em livros e séries.

2 comentários:

  1. Gostei Inigo Montoya por conhecer um pouco da sua história kkkk ou melhor Bruno Catao. Continue assim

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  2. Muito bom conhecer melhor os autores.
    Essas entrevistas do Book of Livros estão demais.

    Parece ser um cara bem convicto de suas ideias e super bacana, o Bruno.
    Desejo sucesso em sua carreira profissional.

    abraços!

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